July 7, 2011

Será loucura ?

Seria loucura olhar o sol de um arrepio e pedir por algo mais? Vagueio inquieta na noite. Sozinha, sem ti. Caminho sem rumo na terra húmida sob meus pés nus, sem me importar se mais uma pedra me ferir, sem me importar se ainda tenho mais sangue para derramar. Me encontro neste deambular sem saber o que procuro. Nem mesmo sei se tenho algo a procurar ou se já nada existe. Já nada existe! Porque continuo aqui? Porque continuo? Sinto o frio a congelar-me por dentro e este medo terrível que me faz soltar um soluço mudo. Lágrimas sem sentido atravessam a minha alma e crescem em meus olhos, desejosas de nascer. E continuo aqui, sem ida nem volta. Sem abrigo, sem lar. Sem saída, e talvez, apenas talvez voltei a tomar o caminho errado. Mais uma vez falhei, mais uma vez… será isto loucura? Será loucura procurar por ti, esperar por ti, …?
Será loucura?

4, Junho de 2011

Negro Retrato


Um dia disseste que tinhas medo,
Medo de fazer o meu retrato.
Disseste que tinhas medo de não mostrar o meu brilho.
“Brilho” disse eu “eu sinto-me um quadro completamente negro”,
Mas tu tinhas a certeza que um quadro negro representava muito.
Será que sim?
Na verdade, acho que tens razão.
Olho para o meu quadro negro
E vejo o fim,
O desabar de sonhos,
O buraco que me fez cair vezes e vezes sem conta.
Vejo o medo e a fúria,
Vejo a escuridão do meu destino, a escuridão do meu mundo,
(Não) vejo nada…
Talvez devesse olhar com mais atenção,
Mas dói cada tentativa falhada.
Estou cansada de tentar,
Estou cansada de cair,
Estou cansada de voltar a tentar.
Fico agora um quadro negro
Que tu dizes representar muito.
Será que sim?
Na verdade, não te sei dizer

11, Julho de 2010

June 13, 2011

Lágrimas

Lágrimas
Que caiem em meu rosto
São a marca do desgosto
Que matou meu coração

Lágrimas
Que são o aconchegar
O eterno abraçar
Que me protege na solidão

Lágrimas
Que em vãos olhos brilham
Que minha tristeza partilham
Iluminem a escuridão

Lágrimas
Eternas amadas
De tristes almas lavadas
Iludam a ilusão


4, Setembro de 2010

June 8, 2011

x.x

Por que continuas a gritar o meu nome
Se nele colocas ódio e desprezo?
Por que continuas a gritar por mim
E fazes com que sempre que escuto sinta que não te mereço?

Tu não conheces a minha alma
Não sabes o que me assombra a cada dia
Tu não conheces o meu coração
Não sabes da tristeza nem da alegria

Olho para ti sem conseguir ver
O que desejo que tu vejas
Sempre espero que me olhes
E percebas as minhas queixas

Porque eu ainda te amo
Mas não vejo amor de ti
Ainda espero que me digas
Que afinal não te perdi

A vida passou rápido
E parece que nada ficou
A vida apedrejou-nos
E parece que o amor voou

Mas,
Ainda te amo, como sempre amei
Ainda te olho, como sempre olhei
E ainda desejo que me olhes e me ames

Porque as feridas são imensas
E parecem não sarar
E eu sempre me entristeço
E luto por não chorar.


4, Junho de 2010

June 7, 2011

Beijo Gelado

Beijo gelado
Vassalo da minha vontade
Roubou a minha luz, a minha vida
Roubou-me o sabor da liberdade

Beijo gelado
De mil amores lançado ao acaso
Prisioneiro do medo e da tristeza
Prisioneiro de meu próprio abraço

Beijo gelado
Em mil sorrisos caídos
Amante de sentimentos temidos
Quebraste em minha desgraça

Beijo gelado
Brilhaste em meus lábios amados
Queimaste em meus olhos cansados
Num turbilhão de dor que me enlaça

11, Janeiro de 2011

June 3, 2011

Darkest Fear


Está escuro
A luz da rua é difusa
Caminho pela estrada
Com o medo a consumir-me a cada passo que dou
Já pensei desistir
Virar costas e correr
Correr o mais depressa que puder
Mas há algo ali
Algo que me puxa
Que me chama tão alto
Que sinto a cabeça a doer
Está tão escuro
Continuo a procurar
A vasculhar a escuridão
Mas não encontro nada
A luz da rua continua difusa
E o medo continua a avançar a meu lado
Não sei o que procuro
Não sei por que me puxa
Não sei por que continuo a avançar
Continua escuro
Mas a verdade da estrada em que sigo
Mutila o meu coração como uma chama
Uma chama abrasadora
Mortífera
Cheguei ao limite.
Precipício.
Continuo a avançar…
11, Julho de 2010

Talvez


Talvez o vento continue
A soprar noutra direcção
Perdi a noção do tempo
Larguei toda a razão

Talvez a vida passe
E eu continue a vaguear
O sorriso, voou com o vento
E a tempestade parece não passar

Talvez seja só eu
A ver o mundo do avesso
E a água escurece
E eu vou, desapareço

Mas talvez
O mundo esteja mesmo ao contrário
E ainda te sinto em mim
O vento, esse maldito
Levou-te e deixou-me assim!



19, Março de 2010